Sopro dos grandes

Há  pouco tempo, por acaso não me lembro, conheci o Schopenhauer. Demorei para compreender, mas passei a apreciar aquele humor ruim e sua incerta superioridade de se considerar detentor de tantas verdades. Gosto das suas regras. Da sua acidez. E de tudo que no fundo apenas fala de o quanto ele desejava ser amado. Era rígido mas queria ser admirado.

Nas pessoas de capacidade limitada, a modéstia não passa de mera honestidade, mas em quem possui grande talento, é hipocrisia.”

Arthur Schopenhauer

Dizem que Goethe frequentava os saraus culturais que sua mãe promovia em casa. Já pensou em ter Goethe na sala da sua casa, para debater assuntos como a terra o céu e o ar? Adoro Goethe. Ele é maravilhoso. Digo assim, no presente porque certas almas são imortais. Ou todas seriam? Não sei, mas amo Goethe. Li  algumas páginas da biografia dele, escrita por seu secretário particular, que o descrevia como um homem amante das cores, da estética, dos bons hábitos, não os meramente burgueses, mas os aristocráticos hábitos do bem viver, do bem pensar, do bem se ver, do bem se amar. ‘Morreu um homem belo, mesmo com idade avançada, músculos rijos, um rosto marcado por uma suave pátina, oscilações da sua cartela de cores primárias’. Influenciou o pensamento de todos .( Mas de todos, e de longe, foi o mais feliz). De Freud, por exemplo. A quem amo também. Foi um bon-vivant acima de tudo. Dizem que fazia uso de alguns “aditivos” para pensar. Mas será? Pensou e associou de tudo. Por exemplo, côcô, para ele, simboliza dinheiro. Já pensou? tudo a ver! tudo a ver!

Tento refletir ao máximo em  um dos seus últimos ensaios “O Mal Estar na Civilização”. Se eu compreendi direito, para ele, uma vida feliz, para um individuo, consistiria em ter um amor, e um bom trabalho. Conclusão bem careta para alguém como Freud, que teve uma vida pra lá de animada. Lou Andreas-Salomé (uma feminista da época. Me desculpem se eu estiver errada.) quase morreu de tanto amor por ele. Enquanto Nietzsche morria de amor por ela. E Rilke à espreita. Acho que Drummond se inspirou um pouco aí, para escrever Quadrilha.

Freud era viciado pela novidade das novas paixões. Por isso mesmo era um destruidor de corações. O que explica essa ligação que fiz com Schopenhauer que se perguntava mais ou menos assim: só o breve, só a novidade interessa? Será que temos que envelhecer para não enlouquecer? Faz sentido.

Devemos então nos adequar a esta ideia para obter o vislumbre desta tal felicidade. Mas seria simples. Talvez fácil demais.

Mas desconfio que nem ele sabe.

É muito interessante fuçar a vida destes grandes homens e mulheres do passado. Aprendi a tomar gosto por bibliografias. Conhecer um pouco da vida de grandes personas. Descobrimos que amaram. E muito. E passaram por todas as tormentas existenciais, e sofreram as agruras de seus amores, Frida também me fez refleti sobre estes aspectos. Tão sofrida. (perdões mais uma vez o trocadilho infame). Eles viram suas paixões se esgotarem, para, no final,e agora faço uso de uma expressão contemporânea, dita por outro ser amável,  Oscar Niemeyer, concluírem, (então eu concluo por eles) muito provavelmente que:
” nasceu, morreu, fudeu!” (E a vida no meio disso!)

Sim!, foi Niemeyer quem disse essa pérola. E também disse “a vida é um sopro”. A vida é um sopro. Um sopro gostoso pra uns. Um sopro longo para outros. Um sopro. Feito um gozo. Um choro. Um abraço. Um beijo. Uma paixão. Um sopro que nos escapa…

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