O céu que existe em mim

Enxergo o mundo como se eu ainda fosse criança.

Exite um prisma na minha retina que refrata tudo o que enxergo.

A luz que invade a janela sempre me trás algo novo. O sol é o mesmo todos os dias, mas a cada dia me parece diferente. O pôr do sol que invade a a sala e pinta tudo de alaranjado, conforta meu espirito como se eu fizesse parte do que está acontecendo. E faço.
Sempre tive certeza de que as nuvens também tentam me dizer algo. Histórias. Vejo histórias nas nuvens e elas nunca repetem um conto. O céu é meu mundo. Sei que os tons de lilás e rosa não são os mesmos de sábado passado, e nos meus dias amargos me lembro que são doce. O céu é feito de algodão doce. Quer pensamento mais infantil? É assim que sou. Eu tropeço nas calçadas, piso em falso em escadas e esbarro nas pessoas, juro que não é por maldade, mas é porque ando olhando para o alto, para os contornos dos prédios que criam molduras diversas para um céu azul. Ou cinza. Também amo a tonalidade da paisagem em dias cinzas. Gosto de nuvens carregadas anunciando tempestade. O cheiro dos dias também são únicos.

Sou desatenta e paradoxalmente observo tudo, sinto tudo, absorvo tudo.

As vezes absorvo a alegria, e em outras a tristeza.

Me surpreendo diariamente, sem estafa.

Me angustia ver o mundo com essas lentes e não me apropriar dele.

O que me motiva,é a beleza. Tudo o que é belo me atrai ao ponto de eu desejar captar e eternizar. Muitas vezes ficam apenas na memoria.  Tenho um arquivo mental com paletas de cores dos dias que já vivi.

E meu subconsciente me recorda em sonhos e assim nunca morrem.
Não sou a única sensível a estas percepções. Mas por egoismo gostaria que fossem só meus.

As ruas, os prédios, o azul do céu, o reflexo na água, a árvore, a neblina, são coisas que entram em mim, mas não me pertencem. Ficam ali, guardadas no campo da intangibilidade, transformadas em sentidos fáceis de esquecer.

A fotografia não diz nada, apenas mostra. Quem viveu sentiu. Quem vê não enxergou tudo. Momentos não são palpáveis.

E aí que mora o desejo de ser eterno, não perder nada. E o que eu faço? Uso o mundo como moldura do que eu sou. Eu tenho a alma das cores do céu.

Esse mundo de fora pra dentro, me transborda.

Eu percebi, que sou um pontinho minúsculo na paisagem, que sou engolida diariamente pela grandeza do passado e infinitude do futuro. Fico sem fôlego diante da imensidão formas e cores que a natureza e o homem produzem e, de vez em quando, me pego melancólica por pensar que um dia não verei mais esse quadro. O nosso quadro. O quadro de todos, suspenso nessa grande sala mal decorada, que é a vida.

Nossa saída não vai ser triunfal. Vai ser silenciosa e pacata. O sol continuará a entrar pela a janela e encantar que puder observar. Mas eu não. O azul do céu ainda vai ser azul, a água vai refletir da mesma forma, a neblina vai continuar roubando os contornos da cidade, mas eu, já terei captado tudo o que posso, já terei exaurido os olhos e levado os sentidos ao cansaço, De alguma forma, Deus me fará fazer parte das flores, dos mares e das cores do céu.

 

“Uma vez que você tenha experimentado voar, você andará pela terra com seus olhos voltados para céu, pois lá você esteve e para lá você desejará voltar.” (Leonardo da Vinci)

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